domingo, 6 de dezembro de 2009



Impossibilidades.



As impossibilidades crescem, e ao invés de me sentir pesada como uma pedra no curso de um rio, Quero sentir-me como uma pena leve flutuante, quero os sonhos realizados, o riso escancarado na boca, o corpo solto.

Se as impossibilidades crescem seguro o choro, para dar vez a esperança.

Deixo entrar a alegria, a certeza do sim e não a rigidez do não.

As impossibilidades e os nãos serão vencidos por minha força , minha certeza hoje de que terei

um amanhã promissor, e deixar para traz todas as travas, todos os medos, deixar entrar a luz.

Quero achar meu pote de ouro sob o arco-iris, quero gargalhar ao invés de sorrir, dançar ao invés de sentar, quero o muito, o tudo, o todo, quero o que me é de direito.

Quero porque posso querer, quero porque posso ter sem preconceitos, ou achar que é pecado.

Vou cortar de meu dicionário mental a palavra impossibilidades.

Farei um dicionário só com SINS e dar um chute no pau da barraca dos NÃOS.

Texto Léah Mormac

terça-feira, 1 de dezembro de 2009


PEDIR
Alguém me falou um dia: - "Cuidado com o que voce pede."
Existe até piada sôbre isso! E com relação a isso estava eu lembrando de um pedido que fiz na vida: Dirigi toda a minha energia para o que desejava, visualisando a "coisa" já como concretizada, isso era todos os dias, todas as horas, já era quase obsessão.
Tempinho depois eis que o pedido se transformou em realidade, mas tem sempre um mas, plantei sem pensar que a colheita poderia ser muito trabalhosa, e FOI...
Por conta disso agora preciso transformar a colheita em algo mais proveitoso, mais real para meu sonho e não consigo, ela cresce cheia de problemas mas cresce, e me amarra a ela com seus grilhões.
Devo admitir que pedir por um desejo sem analisar os prós e os contras é bem complicado e perigoso.
O importante mesmo é deixar fluir. Mesmo desejando muito alguma coisa , entregue nas mãos de Deus, e confie, se for bom pra voce acontecerá.

domingo, 29 de novembro de 2009


Existe diferença entre?
conformismo e passividade
razão e sensatez
meta e objetivo
apego e usura
progresso e vanguardismo
falsidades e mentiras

Acho que apesar de serem sinônimos dependendo do contexto a diferença se faz. Por exemplo : existem mentiras piedosas nada tem a ver com a falsidade.
Quando a energia elétrica chega numa cidadezinha perdida no mapa, é progresso mas não é vanguardismo; posso ser apegada a alguém, sem ser usurária. Posso ter uma meta a alcançar e não atingir o objetivo. Posso ter razão em certos pontos de vista e ser insensata em outros. Posso me conformar sem ser passiva depende justamente do contexto.
Daí acho que sinônimos não existem

sábado, 10 de outubro de 2009






A bruxa anda solta!
Não aguento mais noticias tristes, invariavelmente venho recebendo-as desde Maio.
O que é isso, a bruxa fugiu e ninguém consegue pegá-la, prende-la, enclausurá-la? Talves num convento para que se converta, se amanse e me dê paz...
Não são só notícias de âmbito pessoal, já viram como está o mundo? Chuvas torrenciais, tsunamis, bombas que explodem e matam sabe-se lá quantas pessoas, ex-presidentes que tumultuam uma embaixada, o povo dividido uns contra outros a favôr, mas todos sofrendo. Enfim são tantas as confusões, sem contar com as terrìveis noticias de corrupção dos políticos.
Não, sinceramente precisamos encontrar essa bruxa com urgência urgentissima, ela está muito cheia de espaço, já penso até que não se trata de uma única bruxa mas de várias um verdadeiro exército de bruxas.
Valha-nos Deus, para nos livrarmos delas e voltarmos a sorrir, sonhar e termos outra vez primaveras e verões, dias claros de sol de paz e de saúde, e que assim seja, Amém.
texto-Léah Mormac

terça-feira, 6 de outubro de 2009




ET
As vezes e muitas vezes me acho um verdadeiro ET! Principalmente em situações de troca de idéias, a cada dia que passa mais aumenta esse sentimento em mim. Não que me agrade sentir-me assim tão fora do contexto, mas realmente falar só de novelas da
Globo, dos encontros e desencontros dos artistas, com quem dormiram com quem casaram, isso não faz sentido para mim. Houve um tempo em que eu ligava o rádio e escutava músicas interessantes, com letras elaboradas e inteligentes. Os bons compositores acho desistiram, cansaram de dar murro em ponta de faca. As letras das músicas se resumem a :ôôôs... ai,ai,ais... voce foi embora, voce me deixou, eu te amo, te amo meu amor, te dou tudo que voce quiser... ôôô.... Vai por aí. Até já tentei ouvir essas “músicas”, tentei entender esse tipo de comportamento anticultural, mas me senti agredida. A expectativa de se encontrar nas conversas algo proveitoso é inutil, tendo que contar ainda por cima com o gerundismo: -Voce vai estar fazendo, recebendo, ouvindo... Um inferno! Porque se eu vou estar significa o que ? Nunca estarei?
Vou continuar me sentindo e me comportando como ET fora da “cultura” vigente.
Fazer O que......

sábado, 19 de setembro de 2009

domingo, 13 de setembro de 2009



A Primavera:

Estou deixando o sol entrar, após esse longo inverno, que nos visitou por tantos meses, estou deixando meu corpo se saciar com este calor. Vou usar e abusar da felicidade, ser usuária e viciada em sorrir e cantar, pintar muitas flores em meus quadros, amar-me mais, gostar-me mais, dormir mais, sonhar mais.Esses são meus planos para esta primavera, e torso par que seja também a primavera de todos.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Charles Chaplin

1-"Quem está distante sempre nos causa maior impressão"


2-Não faças do amanhã o sinônimo de nunca,
nem o ontem te seja o mesmo que nunca mais.
Teus passos ficaram.
Olhes para trás ... mas vá em frente
pois há muitos que precisam
que chegues para poderem seguir-te."
3-"A beleza existe em tudo - tanto no bem como no mal.
Mas somente os artistas e poetas sabem encontrá-la."

sexta-feira, 26 de junho de 2009



Meu País

Enquanto dormia e sonhava andei por outros paises percorri outras terras banhei-me em outros mares, vi e colhi outras flores, saboriei outros frutos, vi e pintei novas paisagens.
Ao acordar sentir-me de novo em meu chão, meu lugar, meu lar as paisagens que pintei foram então mais belas, mares mais verdes, frutos mais doces, muito mais flores.
Aqui é onde o sol brilha mais, onde meu coração bate mais forte pois aqui é o meu País.

Léah MorMac

quarta-feira, 17 de junho de 2009

sexta-feira, 5 de junho de 2009


Dor

Léa MorMac
Estou aqui sentada meio contorcida esperando ansiosa os comprimidos que tomei contra esta dor atroz na coluna passe. Ligo a TV na tentativa de pensar em outra coisa enquanto espero, mas só fez piorar, pois lá vem o noticiário outro ataque doloroso. As notícias que se ouvem são de agressão ao meio ambiente, roubos e assassinatos, desgraças e desgraçados, corrupção política. Enquanto crianças morrem de fome eles compram castelos, viajam para Europa com toda a familia com o dinheiro do povo é claro, não cuidam da saúde desse povo, da segurança e ainda se dizem deslavadamente inocentes, apesar das provas mostradas e comprovadas.
A dor fisica me deixa com a boca salgada mas estas notícias só aumentam esse sal.
Quando será que nós os brasileiros vamos reagir a essa situação tão dolorosa que nos arrasa e entristece que acaba com nossa crença de que um dia este país deixará de ser tão escorchado por esses chupins? Quando haverá o cumprimento das leis para todos independentemente da conta bancária do cidadão? Quando será que exigiremos JUSTIÇA, assim com todas as letras maiúsculas? O julgamento e a sentença justa, o equilíbrio, a vergonha para quem roubou, extorquiu, enganou e meteu a mão nos nossos bolsos sem dó nem piedade.
Para a dor da minha coluna tenho uns comprimidos que a amortecem mas para a dor causada por toda essa imoralidade vigente não ainda não foi inventado nenhum.

quarta-feira, 3 de junho de 2009



Mulheres atuais
Léah MorMac

Não compreendo porque as mulheres de hoje têm esses valores tão deturpados com relação a si mesmas. Se ela estiver uns quilinhos acima do peso, se não estiver se vestindo exatamente como manda a moda, mesmo que aquela moda não lhe caia bem, se não souber falar de cremes e principalmente se não estiver fazendo um regime qualquer vai se sentir infeliz, a última das mulheres, fora do contexto. Fico observando as atrizes da TV, (são as que estão mais à mão para serem observadas) que há bem pouco tempo atrás eram pessoas com rostos alegres, cheinhos, sem covas, sem olheiras, corpos sem tantos ossos pontudos, as pernas não eram tão finas, os quadris agora tão estreitos, as roupas não realçam, parecem uns cabides que andam com enormes peitos de silicone!
E se você encontra alguma jovem amiga que esteja magra com cara de doente e por espantar-se com a tal magreza você comenta: “– O que aconteceu você está tão magrinha?” Ela será capaz de amá-la para sempre, agradecer, louvá-la por esse comentário, não vai compreender a sua preocupação com sua saúde, vai achar que foi sim um elogio a sua esqualidez.
Não compreendo o porque desta paranóia desta competição para ver quem é mais magra, quem faz mais regime, quem frequenta ou não academia, pois sei bem sei que os homens gostam de carne e não de ossos, até os cães gostam de osso com carne, que dirá os homens!
Gostaria de saber por simples curiosidade pois não pretendo mudar nada nem ninguém: Quem começou isso tudo, e pra que, qual a finalidade de transformar as curvas femininas em retas sem graça? Por questões de saúde não é, pois nem sempre as magérrimas ou as magras são saudáveis, ou não morrem, será por economia de comida? Apesar da crise não creio que seja isso. Será alguma competição entre as mulheres, ou será que agora as roupas de grife só vão até o nº 40?
Sabe-se lá o por que disso, acho que nunca vou saber, assim sendo vou continuar com minha curiosidade e lamentando tudo isso.

domingo, 31 de maio de 2009




Sol e silêncio
Léah MorMac
Fui a procura de um raio de sol para aquecer meu corpo e de ouvir o silêncio daquela clara manhã e esparramei-me na cadeira da varanda, o sol estava lá morninho com seus reflexos trazendo luzes para as folhas das árvores, desenhando mil sombras pelo chão. O silêncio a princípio também, pois logo vieram os saguís correndo pelos fios da rede elétrica até atingir as copas das árvores para comer os ovos nos ninhos dos passarinhos, que caiam de bicadas sobre eles e aí deu-se a confusão: os saguís gritavam lá na linguagem deles, os pássaros piavam, os cães fazendo coro latiam, seus donos gritavam “– calem-se, vão deitar...”
Acabou-se o silêncio e acho até que o sol recolheu seus raios antes que sobrasse para ele algum grito.
Eu também desisti de esquentar-me ao sol como um lagarto, fui esquentar os dedos e a mente, resolvi pintar uma paisagem onde o sol brilhasse em pleno silêncio.
Fim

sexta-feira, 22 de maio de 2009






O Passado, o Presente e o Futuro
Léah MorMac

Enquanto eu respirar vou me lembrar daqueles dias, da sensação de impotência que fazia meu corpo todo doer, pernas e mãos tremerem, dias de pressões e opressões.
Foram muitos anos desperdiçados e infelizes, horas perdidas, dias mortos, muitas ilusões e sonhos sonhados que sepultei.
Esperava a hora de entrar no chuveiro, era lá que eu chorava e soluçava baixinho para ninguém ouvir. Quantas e quantas vezes me vi repetindo essa cena de puro desespero.
Voltava meus pensamentos ao passado, ouvia sempre que: – Antigamente é que era bom.
Nunca foi bom, nem na infância ou adolescência, nunca, então nem fugir para o passado remoto eu poderia...
Hoje tudo acabou, porém ficaram as lembranças e a sensação de que deveria e poderia ter sido diferente, vem a culpa, o remorso por ter me deixado sofrer tanto, e ter feito sofrer também, o saber que o passado nunca vai ser esquecido que entrou nas minhas veias como sangue contaminado que só me faz mal.
Sei que preciso exorcizá-lo, para viver o presente e o futuro.
Hoje, ainda não existe a felicidade sonhada, e que na verdade nem sei se isso de felicidade é fantasia ou utopia, mas existe esperança de dias melhores, e de que alguns sonhos se realizarão, existe o aprendizado das lembranças ruins do passado, o amadurecimento, o valorizar os pequenos momentos de paz, o ato de compreender as fraquezas alheias e principalmente as minhas.
Existe no presente o saber que para viver o futuro, tenho que perdoar o passado.

terça-feira, 19 de maio de 2009

"O homem não morre quando deixa de viver, mas sim quando deixa de amar." [ Charles Chaplin ]



Nosso amor
Guardo em mim numa caixinha de cetim nossa calmaria
Guardo em mim num cofre forte nossos raios e trovões
Guardo em mim entre lençóis e almofadas nossos desejos
Guardo em mim com cuidados, nossos segredos
Guardo em mim numa estrela que colhi nossas esperanças
Já não guardo em mim nossos sonhos perdidos, calcificados
Só guardo em mim as lembranças do nosso imenso amor
Leah



segunda-feira, 18 de maio de 2009

Adão e Eva versão muçulmana
Adão e Eva versão muçulmana
Leis da termodinâmica
- A ciência a serviço do Homem!(Para ler com atenção até o fim)-
Pelas leis da termodinâmica, todos nós sabemos que: uma caloria é a energia necessária para aquecer 1g de água de 21,5° a 22,5°C. Não é necessário ser nenhum gênio para calcular que, se o ser humano beber um copo de água gelada (200ml ou 200g), aproximadamente a 0°C,necessita de 200 calorias para aquecer em cada 1°C esta água.Para haver o equilíbrio térmico com a temperatura corporal, são necessárias, então, aproximadamente 7.400 calorias para que estes 200gde água alcancem os 37° C da temperatura corporal (200 g X 37°C). e para manter esta temperatura, o corpo usa a única fonte de energia disponível: a gordura corporal. Ou seja, ele precisa queimar gorduras para manter a temperatura corporal estável.
A termodinâmica não nos deixa mentir sobre esta dedução.
Assim, se uma pessoa beber um copo grande (aproximadamente 400 ml, na temperatura de 0°C) de cerveja, ela perde aproximadamente 14.800 calorias (400g x 37°C).Agora, não vamos esquecer de descontar as calorias da cerveja, aproximadamente 800 calorias para 400g.Passando a régua, tem-se que uma pessoa perde aproximadamente 14.000 calorias com a ingestão de um copo de cerveja gelado. Obviamente quanto mais gelada fõr a cerveja maior será a perda destas calorias.Como deve estar claro a todos, isto é muito mais efectivo do que, por exemplo, andar de bicicleta ou correr, quando são queimadas apenas 1.000 calorias por hora. Portanto pessoal, emagrecer é muito simples: basta beber cerveja bem gelada, em grandes quantidades e deixarmos a termodinâmica cuidar do resto.
Saúde! ! !Vou para a cervejaria fazer exercicio....CONTRA FATOS NÃO HÁ ARGUMENTOS

sexta-feira, 15 de maio de 2009

pensamento
Léah MorMac

Amigo
Amigo é o que ficou feliz com meu sucesso, riu comigo na minha alegria, e estava ali me abraçando, me consolando na hora da minha dôr.

segunda-feira, 11 de maio de 2009



Poema
Te emprestei meu ventre, meus seios
Te dei meu sangue, meu riso, minha alegria,
Te dei minhas noites insones, meus mêdos,
Te dei minha coragem, minha força,
Por ti lutei, briguei, perdi, venci,
Contigo chorei, sorri, dancei, vivi
Contigo aprendi, sonhei, entendi.
Pra ti toda extensão do meu amor.
Pra ti minha admiração e orgulho,
Pra ti minha fiel dedicação
Por ti meu incondicional amor
Que vou sentir até morrer.
Assinado: Mãe
escrito por LéaMorMac

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Beijando o Sapo



Texto Léah MorMac

A paixão parecia que ia rolar, e dali surgiria um namoro com futuro,
As fotos dele eram de um lindo rapaz, as dela para ele de uma linda moça...
As músicas, os filmes, os livros, as diversões preferidas, os desejos eram iguais.
Trocavam idéias para projetos futuros, trocavam carícias, beijos e sexo virtuais.
Ela sentia-se plena naquele relacionamento. Resolveu então marcar o primeiro encontro, após longas conversas via MSN, ORKUT, ...
Tudo acertado, escolheram um barzinho próximo a casa dela.
Ela levou bastante tempo se produzindo, queria se apresentar ao seu amor bem bonita,
procurava se acalmar, rezando para que ele gostasse dela.
Na hora marcada, lá estava ela esperando o lindo rapaz da foto com seu um metro e oitenta, cabelos fartos e encaracolados, sorriso largo e simpático.
Resolveu entrar no barzinho escolheu uma mesa próxima à porta e esperou que surgisse o amado, sabia a roupa com a qual ele se apresentaria e ele encontraria uma linda moça com um vestido vermelho.
Minutos depois aparece na sua frente um rapaz baixinho, careca, tentando disfarçar o medo de decepcioná-la, não com um sorriso largo mais bem tremulo. Esse era o seu namorado da Internet.
Ela educadamente conseguiu disfarçar sua raiva por causa da mentira. O silêncio se fez e pesou entre os dois, até que ele resolveu desculpar-se pela decepção e mentira ...
Ela começou a sentir uma grande saudade do amado virtual, do amor não concretizado, onde tudo era cor de rosa, ilusionário, longe da feia realidade. As lágrimas ameaçavam a todo momento seus olhos, pensou em quantas mentiras mais poderiam vir.
E os projetos de vida a dois, e os beijos e as juras de amor, onde ficariam agora? Só percebia que ele falava, falava, mas ela não ouvia.
E de repente, sem que nem mais, curvou-se até ele e beijou-o longamente, beijou o sapo e todos aqueles sentimentos voltaram e dai pra frente a conversa se animou, riram e quando sairam do bar, estavam muito felizes, e renovando os projetos e juras de amor.
Fim

quinta-feira, 7 de maio de 2009

sábado, 2 de maio de 2009

1° de Maio



Texto Léa Mormac
O meu primeiro de Maio não foi de pasmaceira à frente de uma televisão num sofá fofo.
Foi um dia cheio de risos, vozes, de três lindas e inteligentes moças que vieram se juntar a minha filhota, diga-se de passagem não menos linda e inteligente, para fazerem um trabalho de pesquisa para a “Pós”.
Os neurônios ululavam pela sala, a alegria da juventude naquele dia lusco-fusco transformou-se em claridade vibrante.
É que às vezes o descanso mora na troca de energia e não em dormir, ou entregar-se ao nada fazer.
O meu 1° de Maio foi de enegia compartilhada, e só tenho que dizer que foi ótimo.

sábado, 25 de abril de 2009

O Espelho




Léah MorMac

As rugas começavam a aparecer, os cabelos antes de um castanho-dourado, eram agora na maioria brancos, palpebras que formavam pregas pesavam sôbre seus olhos, já sem o brilho da juventude. O corpo meio curvado, as pernas meio trôpegas e seus joelhos às vezes doiam sem quê nem porquê
Assim era a figura que se olhava com cuidado no espelho pendurado no pequeno banheiro do apartamento. A velhice chegou junto com a solidão.
Mas todas as manhãs cumpria aquele ritual com o corpo despojado de roupas passava e esticava com paciêcia de Jó um creme hidratante para o rosto, outro para todo o corpo, filtro solar para proteger sua pele tão branquinha, aí, vestia-se e depois de cumprir essa cerimônia matinal, saia para sua caminhada pela beira da praia. Encontrava uma amiga aqui, outra ali, uma conversinha aqui, outra ali, e a caminhada ia ficando só na vontade e intenção; mas conseguia compensar sua solidão e quando voltava para casa, sua mente estava ocupada com as novidades que as amigas lhe haviam contado.
Era hora do segundo ritual: Entrar no chuveiro, afinal estava suada de tanto esforço por andar. E novamente após o banho, o hidratante no rosto, o outro para o corpo, ia esticando e esticando os cremes e falando consigo mesma que ainda era bonita, e jovem e sadia. Não conseguia ou não queria ver a velhice estampada naquela imagem refletida no espelho, só conseguia enxergar a bela mulher que fora antes, bem antes daqueles seus setenta anos.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Pobre menino Rico






Pobre menino rico
Léah MorMac
A brincadeira rolava todos os dias, a roupa grudada mais na sujeira que no corpo de tanto cair e correr com a bola no campinho.
O jornal da cidade, perto de casa, descartava os tubos de madeira que traziam os papéis que usavam, para eles inúteis, mas para nós era o tesouro! Daquilo criávamos nossos carrinhos de “rolimã de pau” e nossos “patinetes”, e neles era uma descida ladeira a baixo, onde acabávamos nos estabacando e rindo a rodo, nem sentíamos os joelhos e cotovelos ralados e nem chorávamos quando a mãe lavava nossos ferimentos de prazer, com água de sal “– homem não chora!”, era o refrão.
Vestidos no uniforme escolar andávamos a pé até a escola, parece incrível mas sim, andávamos a pé, que aliás era outro prazer, encontrávamos os amigos pelo caminho, e sempre uma brincadeira ou uma aposta para ver quem chegava primeiro, quem corria mais , e sem fôlego e suados entrávamos na sala de aula.
Nunca vi mãe levando filho de carro até à porta do colégio, coisa que nem podíamos imaginar existir, o “automóvel”, como era chamado, quem o tinha era rico.
Subíamos em árvores, para colher a fruta diretamente da fonte e lá, encarapitádos saboreá-las!
Video-game, televisão, MP3, nada disso existia. O que tínhamos era a matinê no cinema poeira nos fins de semana, para vermos as aventuras de Flash Gordon, Tarzã, ou um bang-bang com James Cagnei ou John Waine.
Não tinha traumas psicológicos por ver e desviar-me do tamanco arremessado por minha mãe em minha direção, quando as diabruras aprontadas chegavam no auge.
Se chegássemos tarde em casa, a preocupação não era com pedófilos, raptos, ou balas perdidas, era tão somente para mantermos obediência aos nossos pais, pelas regras da casa.
Os deveres de casa eram pesquisados nas bibliotecas e em enciclopédias, e não na internet. O mundo era real e não virtual, líamos Monteiro Lobato ao invés de ver pela Tv, o sitio do Pica-pau...
Merenda escolar era mingau, nada de fast-food, não tínhamos “mesada” para gastar nas cantinas da escola, nem em praças de alimentação de shopping – nem existia shopping, coisas de agora.
Sei que na minha infância não existiam as tecnologias e modernidades de hoje, que até acho bom, mas sei que foi rica em alegrias, aventuras e prazeres e principalmente liberdade despreocupada, que os pobres meninos ricos de hoje nunca experimentarão.
Fim

P.S.(texto referente a infância de meu marido)

sexta-feira, 10 de abril de 2009


O Crime
Léah MorMac

Sentado na varanda conseguia vislumbrar uma grande área, via as casas da vizinhança e se satisfazia com aquela invasão. Era já um vício aquelas “espiadas“ diárias. Mas a casa que ele via melhor era a do Gomes.
Tratava de ficar meio escondido entre os vasos de plantas, e, só saia dali quando era chamado por Beta, com uma raiva mal contida, que deixava transparecer na voz esganiçada...
- João vem almoçar...”João fofoca” vem me ajudar com a vassoura... João sai daí, faça alguma coisa...
Era assim todos os dias, todas as horas.
Beta, resmungava, praguejava e ameaçava amarrá-lo naquela cadeira.
- Assim não precisará ter o trabalho de se levantar e sentar...
Naquele dia, João chegou na cozinha, sem cor e trêmulo mal conseguindo tocar no braço de Beta.
- Deus do céu o que foi homem, o que está sentindo? Fala, fala...
Com muita dificuldade ele balbuciou:
-Eu vi Bebebeta, eu vi um crime, na casa do Gomes!
- O que, homem? Cê sonhou naquela cadeira.
-Não sonhei nada, começou a explicar:
-Ele passou no quintal todo sujo de sangue, e olhando de um lado para outro, para ver se ninguém o via, passou meio curvado carregando uma espécie de embrulho, de onde, de repente caiu algo, soltando-se do papel, e quando êle se apressou em pegar, eu vi, era uma cabeça de mulher. Eu vi, eu vi! Ai! Ai! Ai Beta, só podia ser a da Georgina e pingava sangue! Ai! O que vamos fazer, chamar a policia?
E correu para o quarto, e ela seguiu-o com medo de ficar sozinha na cozinha .
Beta não tinha mais espaço para arregalar os olhos, começou a andar nervosamente e falando:
- Meu Deus eles se davam bem, só se foi ciúmes, que ele tinha bastante do Elias, será? Não, não, deve ter sido por causa do Seu Carlos que vivia esticando o olho para a bunda da Georgina, que gostava bem de passar rebolando por ele.
Mesmo assim, matar, cortar-lhe a cabeça como Maria Antonieta é demais... Meu Deus, João, e agora?
Ele espiando pela greta da janela tentava enxergar a casa do Gomes.
Em sua casa, Gomes contemplava sobre a mesa uma cabeça com olhos estatelados, cabelos empapados, que sujara toda a mesa. Dava gargalhadas a se contorcer.
Então, surge na frente dele Georgina que falou:
- Gomes, pare de rir e me diga, voce acha que deu certo, acha que esta cabeça de papier maché e suja de anilina vai enganar aquele velho fofoqueiro, e fazê-lo parar de espiar para cá?
E Gomes tentando conter o riso:
- Tenho certeza, agora vou esperar pois provavelmente ele vai chamar a polícia. E eu vou dar uma de artesão.
FIM

sábado, 4 de abril de 2009

Lembranças de amor



O casamento estava marcado para as dezoito horas, e a recepção no salão do clube do pai da noiva seria logo após para convidados seletos, a notícia correu pela cidade e a Igreja lotou.
Nina muito magra sobrava dentro do vestido antes perfeito em seu corpo seus olhos verdes estampados no rosto demonstravam estar a ponto de chorar, mexia-se e remexia-se na cadeira, uma música angelical encheu a nave da igreja, por todos os lados rendas, flores e chapéus ia ser chique aquele casamento, pensou, e ela ali sentindo-se mal ajambrada numa roupa que nem parecia ser sua pronta para enterrar seus sonhos.
O noivo, com seus cabelos alourados perfeito naquele fraque, ombros largos, um deus grego. De pé ao lado dos padrinhos, ajeitava a gravata, examinava o chão, talvez para ver se estava firme sob seus pés ou sob sua decisão de casar-se com Marina.
As lembraças começaram a pipocar na mente de Nina, Bruno sempre fora um rapaz interesseiro, e meio preguiçoso, blasfemava diariamente contra sua pobreza, e jurava em voz alta que ainda ia ter dinheiro para gastar a rodo, Nina achava graça daqueles arroubos que ela julgava infantis. Lembrou-se dos beijos e afagos, planos de futuro, as noites passadas juntos num quartinho de Motel, onde ela ouviu juras de amor eterno, até o dia em que ele à queima roupa anunciou que não queria mais aquele namoro estava se sentindo muito preso, era muito novo e não tinha as mínimas condições financeiras para assumir qualquer compromisso. Nem as lágrimas, nem a explosão de Nina socando-o, nada o abalou ou o fez retroceder em sua decisão.
Nina perdeu uns dez quilos num mês, sentava-se perto do telefone na esperança de ouvir a voz de Bruno do outro lado pedindo perdão, à noite chorava até ser vencida pelo cansaço e adormecer, depois veio a raiva, a amargura, a auto desvalorização, a culpa, um turbilhão de sentimentos, mas nunca o esquecimento, nem sua ausência amortecia aquela dor.
Naquela tarde ao sair do trabalho, sabia que precisava trocar de caminho e passar no mercado para atender a um pedido de compras feito por sua mãe.
O chão abriu-se a seus pés ao vê-lo passar abraçadinho com a feia Marina, feia porém filha de pai empresário rico, que Bruno vivia citando como exemplo do que queria ser um dia...
Quantas promessas, quantos sonhos agora decaptados com aquele casamento.
Marina apareceu emoldurada pela porta da igreja, seria um belo quadro não fosse a feiura da noiva. Os cabelos ajeitados extrategicamente no alto da cabeça , a maquiagem perfeita, o vestido lindo num corpo quadrado, nada poderia melhorar sua aparência, seu naris pequeno demais entre as bochechas gordas, todos que a conheciam comentavam parecer um cachorro bulldog.
Andava lentamente olhando todos os rostos à sua volta sentindo-se admirada e invejada, com um sorriso de canto a canto mostrando os dentes imperfeitos, dentro de um vestido digno de uma rainha. Mas a única coisa bonita que ela conseguira fora o lindo noivo que seu pai lhe comprara.

Ao ouvir o sim que Bruno deu respondendo a pergunta do padre, Nina não suportou soltou um grito de dor, levantou-se para cair em seguida desmaiada com o peso da dor.
Acordou na sacristia uma senhora com um terço na mão, e um lenço encardido na outra abanava-a impaciente.
-Menina como se chama, como está se sentindo agora? Que escândalo foi aquele que você fez, querendo atrapalhar a vida dos outros que coisa feia...
Sem nada responder, Nina levantou-se , ajeitou-se dentro da roupa e pronta para ir embora quando o padre apareceu, dispensou a beata e depois de olhá-la severamente mandou-a rezar, ter fé que tudo ia passar...
Nina foi caminhando para sua casa e determinou que aquele seria o dia em que seus sonhos ficaram cegos.
Durante aquele ano as notícias que chegavam até ela eram de que Bruno e Marina se separaram e ele sumiu da cidade
Ela não saberia dizer quanto tempo se passou quando ao atender a campainha da porta, deparou-se com Bruno pedindo para falar com ela à sós.
Nina pensou estar vacinada contra aquele olhar suplicante, o mesmo que jogava em cima dela quando queria amor. Mas sua voz quase falhou quando disse: – Não, não posso estou ocupada. E fechou a porta atrás de si, sentou-se no chão sentindo seu coração acelerar, vontade de chamá-lo de volta, acreditar em suas promessas, chorar com ele o amor desperdiçado, perdido no tempo, socou-se chorou, chorou até não querer mais chorar.
Dias depois outro encontro dessa vez estavam na rua e ela não pode se esquivar.
Ele implorava perdão, e ela acabou cedendo com a condição de se casarem e só então voltariam a se amar. Bruno concordou e marcaram o dia do casorio numa igreja ortodoxa.
Nina, estava linda, adiquirira peso, e seu vestido embora simples realçava sua beleza
A igreja estava cheia, mas sabia que Marina lá estava tentando se esconder num cantinho.
A comoção foi geral quando Nina, respondeu Não a pergunta do padre.
Muitos anos se passaram, nunca mais o viu, mas a chama daquelas lembraças seguiram-na pela vida e hoje, lendo o jornal viu o nome dele na lista dos mortos de um acidente aéreo. Não saberia descrever o que sentiu, só sabe que mais uma vez chorou até não poder mais.
texto por Léah MorMac; imagem anônima

segunda-feira, 30 de março de 2009

sábado, 28 de março de 2009

Era uma vez






Era uma vez um gato xadrez
Agora tudo é chinês,
A blusa encolheu
A cueca não deu,
Era uma vez um gato xadrez
Agora tudo é chinês,
O martelo quebrou
O alicate entortou,
A camisa apertou,
A calcinha rasgou,
Era uma vez um gato xadrez
Agora tudo é chinês
Sapato só trinta e dois
Vestido só trinta e seis
Somente porque é tudo chinês,
Se tudo se quebra,
Se tudo lhe aperta,
É simples saber o porquê, os porquês
É tudo por que é tudo chinês
E era uma vez um gato xadrez
E o silicone, escapou do chinês?
Não sei lhe dizer,Só quero saber porquê tudo é chinês?




(texto escrito por Léah MorMac; imagem Vivi Mormac)

terça-feira, 24 de março de 2009

A BALA PERDIDA



Havia o pique-bandeira, era um desafio,
Corriam pegavam, gritavam, uma alegria de risos a não querer mais...
Havia o mamãe posso ir, as brincadeiras de roda...
Como devia ser bom, se me deixassem brincar...
- És muito pequena prá isso, senta aí, e fica olhando.
Dizia a irmã maior que se esbaldava até não poder mais.
E eu sentada só olhava e sonhava, querendo lá estar também.
As lágrimas saltando dos olhos, pelo menos elas podiam pular...

De repente, o riso fácil...
Há muito tempo sonhava com aquele néctar...
Umas com listinhas marrons outras vermelhas
Mas nunca ganhara uma, tal qual nas brincadeiras,
Olhei-a tão redondinha colorida, tão docinha,
Lambi-a de todos os lados experimentando seu sabor
A irmã de lá gritou:
-Ponha logo na boca, antes que caia no chão.

E então o choro farto...
-Mas o que foi agora, porque esse choro então?
- Eu engoli minha bala, desceu pela minha goela
Sem nem sentir-lhe o gostinho, foi tudo num supetão...
Ela enxugou-os meus olhos, deu-me um beijinho na testa
- É porque és muito pequena, nem chupar balas tu sabes!
E voltou para as brincadeiras, enquanto eu sonhava ali sentadinha
Em no dia seguinte estar maiorzinha ...
FIM

(texto escrito por Léah MorMac)

segunda-feira, 23 de março de 2009

domingo, 22 de março de 2009

O Monstro

O MONSTRO

Aperto o “Caps Lock”, penso que apertei, na verdade apertei o “a”, que fica bem do ladinho, tento de novo agora vai... fim da frase , palavras com letras que tenho certeza não fui eu que as coloquei ali... tudo errado.
- Delete, digo para mim mesma impaciente, teclo o “s” ao invés do “x”,
Escrevo esemplo e não exemplo. Isso não é aconselhável nem exemplo para ninguém...
Deus nasci para os pincéis, lapis e papéis...
Dêem-me um teclado sonoro, que não troco o dó pelo ré
Mudo de computador, outro tipo de teclado, qual o que, a safa, digo a saga continua, o defeito é de quem está ali martelando aquelas teclas, eu.
È um Deus nos acuda, ou melhor acuda-me por favôr, gigo. digo favor
um digitador com prática comprovada, visto que já fui reprovada.
Por esse MONSTRO, o teclado do computador.

(texto de Léah)

sexta-feira, 20 de março de 2009

Minha Cabeça

Alguém que me conhece, me perguntou curioso :
- O que tens na cabeça?!...
Na minha cabeça tenho:
Na frente um rosto que gostaria com as feições de uns 20 anos atrás.
Nas laterais orelhas, que não gostam de brincos.
Em volta como moldura cabelos amarelos, originalmente castanhos e muitos, muitos outros brancos, que se recusam a aceitar qualquer cor.
Agora, dentro de minha cabeça:
Muitos arquivos, uns mortos, que de vez em quando ressuscitam, outros vivos, cheios de lembranças, dores, alegrias e sonhos revelados outros não, projetos concretizados outros não, idéias boas outras ruins, manias e coisas afins.
Tenho um mundo na minha cabeça,
Será que a resposta satisfaz?
Tudo isso, plagiando Bob Carlos e Caetano: “ debaixo dos caracóis...
Êta cabeção...

(escrito por Léah MorMac)

quarta-feira, 18 de março de 2009

Desencanto

Eu faço versos como quem chora
De desalento... de desencanto...
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.
Meu verso é sangue. Volúpia ardente...
Tristeza esparsa... remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.
E nestes versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.
- Eu faço versos como quem morre.

Manuel Bandeira

O primeiro e lindo verso declamado por mim, no auditório do Colégio, com tôda emoção de adolescente que eu era.

Mãos



Gosto de mãos que trabalham,
Gosto de mãos que reciclam,
Gosto de mãos que se esforçam
Na luta, na labuta, na enxada, no martelo
Gosto de mãos que tocam
O toque suave no corpo, no teclado,
No pincel, no lápis.
Não gosto das mãos que matam,
Não gosto das mãos que espancam,
Não gosto das bonitas,
Não gosto de mãos de salão,
Das que só erguem taças em comemorações.

Eu gosto das feias mãos.

A traição



Bebeu como se não houvesse mundo no amanhã, aquelas bebedeiras que amolecem tudo, até os intestinos. A boca parecia não ter músculos, teimava em permanecer aberta, os olhos ou a cabeça, sabe-se lá, andavam cada um para um lado na intenção de ir, e não iam, ele tombava a todo instante, sob o peso da carraspana.
Sem poder ir ou vir, dormiu ali mesmo,no chão da sala.
Já no dia seguinte, com tôdas as dores e vômitos da ressaca, se censurava pela fraqueza da bebedeira. O remédio era o chuveiro frio e um Engove.
A campainha tocou e ele se arrastou até a porta. Pelo olho mágico viu o rosto da mãe, que ao entrar e deparar com o filho naquele estado, com um misto de censura, dor e pena estampados no rosto envelhecido ordenou-lhe:
Vá pro chuveiro, menino...
Ela raramente aparecia naquela casa, talvez por intuição materna resolvera aparecer por lá naquela manhã.
Já o havia encontrado assim em outra época, outra briga deles, e já não estranhava mais.
Fabio obedeceu, como se fosse realmente um menino. No banheiro, vomitou, peidou, cagou, chorou até não querer mais.
Ficou um longo tempo confabulando consigo mesmo, sem chegar a conclusões ou decisões pensando no inferno que tinha sido sua vida nos últimos anos. Mas realmente o que mais doía, era o orgulho ferido mortalmente por aquele riquinho metido, a ser melhor do que ele, que tudo conseguira a duras penas, não herdara nada a não ser pobreza.

Há seis anos havia se apaixonado por Dolores, ela mostrou ser uma pessoa autoritária, vazia e rancorosa que ele fingia não perceber, maltratava seus parentes e amigos que começaram a se afastar, só lhes restou um casal, de amigos dela, Lú e Eduardo.
- Afinal eram ricos, gente muito fina... Afirmava ela.
- Ele é muito snobe e ela é idiota, uns “deslumbrados”, dizia Fábio.
Os dias se sucediam entre eles em brigas, mas Fábio mantinha a esperança de que dali há mais um tempo ela voltasse a ser a Dolores que antes do casamento, era tão doce.
Ela queria a vida de festas, roupas caras, viagens, queria a vida de quando era solteira, e sustentada pelo pai...
O dinheiro curto, o apartamento caro que ainda estava pagando, o carro recém-comprado, impedia Fábio de fazer as vontades de Dolores. Ela por sua vez, gastava todo o seu salário pequeno de professora, em supérfluos e vivia pedindo dinheiro ao pai, o que deixava Fábio bem humilhado.
Dolores anunciou assim, na bucha, para o marido, após briga feia de abalar quarteirão, que ia embora, afinal encontrára alguém que a compreendia e valorizava...
- Vá, vai agora, mesmo, e me deixe em paz, e vê se não volta mais dessa vez e deixa a chave...
- Você é que vai me dar paz, seu pé-rapado, nunca me deu nada, agora vou ter tudo...
Fábio cansado de discutir, sentou-se na cama e ficou vendo-a pegar bolsas e um jogo de malas e enchê-las de roupas e sapatos, que aliás era o que ela mais tinha.
A princípio, achou que o novo pretendente não existia, que na verdade ela ia voltar para a casa dos pais, como já fizera outras vezes.
Jogou as chaves sobre a cama e antes de bater a porta atrás de si, ela soltou a bomba:
- Vou morar com Eduardo que está se divorciando da idiota da Lú.

Meses depois: Fábio adormecera no sofá da sala, a campainha toca, acordando-o.
- Deve ser minha mãe, só ela me acordaria de um soninho tão bom...
Arrasta-se até o olho mágico da porta e depara com o rosto de Dolores do outro lado torcendo as mãos e em tom baixo e suplicante:
- Fábio, abre a porta, sei que você está aí, vamos conversar...
Ele, vira as costas, vai até ao aparelho de som e coloca no maior volume o DVD do Cazuza, que ela odiava, e ele amava, desligou a campainha, e voltou a dormir.

Lei de Murphy



Coisa mais irritante essa lei.
Cinco copos sujos inteirinhos, na pia.
Assim que foram lavados, brilhantes... um esbarrão e
Quebram-se todos.
Por que não se quebraram quando ainda sujos?

Natasha, sobrenome:



Gorda, gulosa. Glutona
Obsessiva, obsecada.
Egoísta, egocêntrica.
Possessiva, princesa.
Amada, Assanhada, alegre.
Inteligente.
Bonita, bela, boazinha,
Fiel, feliz
Natália, natalício.